Amor Sem Autocorretor

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Eu estava em casa, pensando na vida, pra variar, e acabei encontrando em meio à minha bagunça organizada uma cartinha que nós fizemos no ultimo dia de aula do ensino fundamental. Cada um tinha que escrever o que pensava do outro depois de tanto tempo juntos. Foi bom ler como eu faria falta, mesmo não saindo da escola depois da choradeira toda.

De qualquer forma, isso me fez refletir. Talvez seja por eu ter nascido no milênio passado que minha velhice assumida, no auge dos meus 20 anos, acabou eternizando minha adoração por cartas feitas à mão. É como se o sentimento fosse verdadeiro naquela época, sabe?

Eu nasci com a internet, mas soube aproveitar o pouco tempo que restou da realidade em si. Colecionava os papéis de carta da minha mãe e sempre escrevia alguma de surpresa pra alguém. Lembro-me, também, dos correios elegantes. Aquilo sim era, literalmente, uma conquista barata, mas funcional e nem era preciso baixar o nível pra arrancar o sorriso de alguém.

Há algo de especial nas cartas. Talvez por ser ícone obrigatório dos melhores romances da história, mas, além disso, elas eram feitas especialmente pra alguém e pronto – não era um festival de CtrlC + CtrlV em que ganhava o que tivesse maior número de curtidas. Nós éramos obrigados a pensar e a decifrar sentimentos inexplicáveis. Amar é fácil, difícil é explicar como é fácil amar quem amamos. Viu? Bom, era, afinal, hoje o autocorretor nos ajuda a explicar até o que Freud jamais entenderia.

Por isso, anseio por um mundo em que as pessoas se lembrem do meu aniversário pela minha importância, não pelo lembrete do Facebook, um lugar em que haja mais mensagens positivas e verdadeiras e menos convites pra jogar Candy Crush – garanto que o sorriso será muito mais valioso. Por mais que relembrar o passado soe um tanto quanto antiquado, negar que ele existiu não muda o fato de que receber uma carta pelo correio é a melhor sensação do mundo.

Bruna Said Miguel

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Uma opinião sobre “Amor Sem Autocorretor

  1. Ahhh… Quantas cartas eu já escrevi!
    O que me faz lembrar de O Carteiro e o Poeta, um filme bem antigo.
    A vida pode sim navegar entre várias culturas, várias idéias e ao longo do tempo.
    A busca pelo imediato sacia o momento. A espera pelo que virá enche a alma de esperança.
    Não tem melhor nem pior. A carta é legal. O post também. O que vale mesmo é o conteúdo.
    A cup of tea please! 😉

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